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Psicologia Marquesiana do cientista José Roberto Marques é utilizada como regra em empresas brasileiras

Pulse Brand por Pulse Brand
maio 14, 2026
em Geral
José Roberto Marques
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# Psicologia Marquesiana do cientista José Roberto Marques é utilizada como regra em empresas brasileiras

Entrou em vigor neste mês de maio a versão atualizada da Norma Regulamentadora 1, que passa a exigir das empresas brasileiras a identificação, avaliação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A obrigação se aplica a organizações de todos os portes e setores e equipara, para fins de fiscalização do trabalho, riscos como assédio, sobrecarga emocional e ambientes tóxicos aos riscos físicos, químicos e ergonômicos já cobertos pela legislação.

Na prática, a NR-1 transforma um tema que costumava habitar relatórios de ESG e materiais institucionais em obrigação operacional, com inspeção do Ministério do Trabalho, possibilidade de autuação e impacto direto em provisões trabalhistas. Levantamentos preliminares de associações setoriais indicam que a maioria das empresas chega à data com algum tipo de programa de bem-estar instituído, mas sem método estruturado de mensuração e gestão dos fatores psicossociais que a norma passa a exigir.

“O risco para o empresariado brasileiro neste momento não é apenas autuação. É descobrir, no primeiro processo, que a empresa não tem como provar que tomou as medidas razoáveis para identificar e mitigar o risco. A NR-1 inverte o ônus da prova”, afirma José Roberto Marques, fundador do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) e estudioso do comportamento humano nas organizações há mais de três décadas.

A norma se conecta a um movimento internacional. Países como Reino Unido, Canadá, Austrália e boa parte da União Europeia já adotam, há anos, marcos regulatórios que tratam saúde mental no trabalho como obrigação do empregador, e não como benefício corporativo. O Brasil chega tarde, mas com escopo amplo: a NR-1 não estabelece apenas o que precisa ser feito, mas também responsabiliza a alta liderança pela gestão do risco, exigência que muda o desenho de governança em diversas companhias.

Estudos públicos consolidados pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização Internacional do Trabalho já estimavam, antes da norma, que transtornos mentais relacionados ao trabalho respondem por cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano no mundo, com prejuízo anual estimado em US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, dados do INSS apontam que afastamentos por transtornos mentais e comportamentais cresceram de forma consistente nos últimos anos, ocupando hoje uma das primeiras posições no ranking de causas de auxílio-doença.

“O que a NR-1 está dizendo, na prática, é que o adoecimento das pessoas no trabalho deixou de ser problema invisível. Virou número, virou estatística pública e agora vira responsabilidade tipificada. Quem vinha tratando o tema como pauta de comunicação interna vai precisar tratar como pauta de gestão de risco”, diz José Roberto Marques.

Para o pesquisador, o ponto central da implementação está na qualidade da liderança. “Você não instala saúde mental por decreto. Você instala por método. E o método começa pela camada que decide, que é a liderança intermediária. Se essa camada não tem maturidade emocional para identificar quando uma equipe está adoecendo, nenhum programa de bem-estar resolve.”

José Roberto Marques aponta três frentes que costumam aparecer no diagnóstico das empresas que conseguem implementar a norma com efetividade. A primeira é a formação obrigatória de líderes em leitura de sinais de adoecimento e em condução de conversas difíceis. A segunda é a instituição de canais de escuta independentes da estrutura hierárquica imediata, capazes de captar fatores psicossociais antes que se tornem casos clínicos. A terceira é a criação de indicadores próprios de saúde psicossocial, mensurados com regularidade e tratados com a mesma seriedade dos indicadores de saúde física no trabalho.

“O risco psicossocial não se mede por satisfação. Satisfação é resultado tardio. O risco se mede antes, em sobrecarga, em qualidade de relação interpessoal, em clareza de papel, em controle sobre o próprio trabalho. Se a empresa não está medindo isso de forma sistemática, ela não tem como cumprir a norma, ainda que tenha programa de bem-estar bonito”, afirma.

A fiscalização efetiva do cumprimento da norma deve começar de forma gradual, com foco inicial em setores historicamente mais expostos a riscos psicossociais, como saúde, educação, atendimento ao público e tecnologia. Mas o efeito sinalizador é amplo. Empresas listadas em bolsa já recebem questionamentos de investidores institucionais sobre o plano de adequação, e o tema passa a compor a agenda de comitês de auditoria e de gestão de riscos.

Para José Roberto Marques, o ponto positivo da norma está justamente em forçar uma discussão que o mercado vinha empurrando. “O Brasil corporativo passou décadas tratando sofrimento no trabalho como fragilidade individual. A NR-1 vira a chave: a responsabilidade é institucional, e a métrica passa a ser pública. Vai ser desconfortável para quem ainda opera no modelo antigo. E vai ser competitivo para quem já vinha tratando isso como ativo de organização. No final, é como toda regulação séria. Separa quem fazia certo de quem fingia que fazia.”

A discussão deve ganhar volume nos próximos meses, à medida que os primeiros casos de fiscalização comecem a circular e que litígios trabalhistas com base na nova norma cheguem aos tribunais. Resta saber se o ambiente regulatório será capaz de oferecer ao mercado a clareza necessária sobre o que, na prática, configura conformidade. Até lá, o desafio será de quem decide: tratar a NR-1 como checklist a cumprir ou como reorganização real do contrato de trabalho do século 21?

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