O que está levando adultos jovens a trocar empregos formais por renda na internet?

Compartilhar

Pesquisa aponta crescimento da preferência pelo trabalho autônomo nos próximos cinco anos; creators adultos contam como a internet transformou suas relações com carreira, renda e liberdade profissional

Ter um emprego com carteira assinada continua sendo o objetivo de muitos brasileiros no início da vida profissional, mas já não aparece necessariamente como um projeto para toda a carreira. Ao projetarem os próximos anos, cada vez mais pessoas demonstram interesse em trabalhar de maneira autônoma e construir as próprias fontes de renda.

Levantamento realizado pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, ouviu 1.816 brasileiros em maio de 2026. Entre os entrevistados, 30% disseram que atualmente gostariam de ter um emprego com carteira assinada. Quando projetam os próximos cinco anos, porém, esse percentual cai para 16%. No mesmo cenário, a preferência por trabalhar por conta própria sobe de 28% para 42%.

Os motivos não estão necessariamente ligados apenas ao dinheiro. O salário é o principal fator apontado na escolha de um trabalho, mas 62% dos participantes afirmam que aceitariam ganhar um pouco menos para atuar em um ambiente considerado mais saudável, com menor nível de pressão e estresse.

É nesse contexto que aparecem histórias de adultos que passaram a transformar a própria presença na internet em fonte de renda. Alguns mantêm outras atividades profissionais; outros deixaram empregos formais depois que a produção de conteúdo começou a gerar resultados capazes de substituir parte ou toda a renda anterior.

Do estoque de uma multinacional aos R$ 100 mil

Um deles é Erick Souza, de 23 anos. Antes de trabalhar com produção de conteúdo, ele passou aproximadamente dois anos como estoquista de uma multinacional, cumprindo uma jornada de oito horas por dia, de segunda a sábado.

Hoje, estudante de Nutrição, divide a rotina entre a faculdade, os treinos e a criação de conteúdo. Em 24 dias após começar a monetizar sua audiência na Privacy, Erick alcançou R$ 100 mil em faturamento.

A entrada na plataforma ocorreu depois que o crescimento de seu público nas redes sociais fez com que seguidores sugerissem que ele ampliasse sua produção. O que começou como uma possibilidade adicional de renda passou a ocupar um espaço importante em sua trajetória profissional.

O resultado já permitiu a compra do primeiro carro. Agora, o estudante trabalha para alcançar uma nova meta: conquistar a casa própria.

Para Erick, a principal mudança não está apenas no retorno financeiro, mas também na possibilidade de organizar o próprio cotidiano.

“O que mais valorizo é a liberdade para organizar meu tempo. Você deixa de viver apenas para trabalhar e passa a construir uma rotina em que o trabalho se adapta melhor à sua vida”, afirma.

De R$ 700 mensais à possibilidade de trabalhar de qualquer lugar

A transformação da rotina profissional também aparece na história de Mirelly Gomes. Em seu primeiro emprego em um escritório de advocacia, ela recebia R$ 700 por mês.

Posteriormente, passou por outras experiências profissionais e chegou a receber aproximadamente R$ 1.200 mensais. A rotina era marcada por horários fixos e pelas obrigações tradicionais de um trabalho presencial.

Hoje, Mirelly concilia a produção de conteúdo com uma agenda mais flexível. Segundo ela, a atividade também possibilitou conhecer países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Portugal e Marrocos.

“Hoje tenho liberdade. Posso organizar meus horários, trabalhar de onde estiver e conciliar a atividade com viagens e outros projetos”, conta.

A trajetória representa outro aspecto dessa mudança profissional. Para muitos adultos, a procura por novas formas de trabalho não está relacionada somente à renda, mas também à possibilidade de ter maior controle sobre horários, localização e projetos pessoais.

Mais de R$ 6 mil em 40 minutos

Alana Oliveira teve uma experiência diferente. Cerca de 40 minutos depois de abrir sua conta na Privacy, ela afirma ter alcançado mais de R$ 6 mil em faturamento.

O resultado fez com que a criação de conteúdo ganhasse espaço entre suas atividades profissionais e levou a creator a compartilhar nas redes sociais parte do que aprendeu desde o início.

Para ela, uma das dificuldades enfrentadas por quem decide começar uma atividade independente na internet é lidar com o julgamento e com as opiniões externas.

“Vai sem medo. Na hora de pagar as suas contas, ninguém vai pagar por você”, afirma.

Liberdade exige planejamento

Embora os resultados alcançados pelos três creators chamem atenção, a produção de conteúdo exige mais do que exposição nas redes sociais. Planejamento, frequência, relacionamento com o público, compreensão das ferramentas digitais e desenvolvimento de estratégias de monetização fazem parte da rotina.

A internet ampliou as possibilidades para profissionais que desejam construir fontes próprias de renda, mas também transferiu para eles responsabilidades que antes pertenciam às empresas. Quem trabalha de maneira independente precisa administrar o tempo, planejar receitas, organizar a produção e manter uma relação consistente com a própria audiência.

As histórias de Erick, Mirelly e Alana mostram diferentes caminhos dentro desse mercado. Em comum, os três encontraram na Privacy uma estrutura para monetizar o público que já acompanhava seus conteúdos.

Mais do que uma rejeição ao emprego formal, o movimento revela uma mudança na forma como parte dos adultos em início de carreira enxerga o trabalho. Renda continua sendo fundamental, mas autonomia, flexibilidade e qualidade de vida passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões profissionais.

Sobre o autor

Redação

Autor desta reportagem.

Mais sobre Geral