Da inclusão digital ao apoio alimentar, uma trajetória de duas décadas
A trajetória de Eloizo Gomes Afonso Duraes reúne atuação no setor alimentício, vínculos com o agronegócio, produção literária e iniciativas sociais. Entre esses capítulos, um começou em 2003, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Uma proposta de inclusão digital destinada a crianças e adolescentes revelou uma dificuldade anterior ao uso do computador: parte dos participantes precisava de apoio na alfabetização e na aprendizagem escolar.
A constatação mudou o rumo do trabalho. O que havia sido concebido como ensino de informática passou a incluir reforço escolar e outras atividades. Desse processo surgiu a Fundação Gentil Afonso Durães, que recebeu o nome do pai do empresário. A iniciativa ampliou gradualmente suas frentes de atuação para educação, cultura, alimentação e transporte, considerando obstáculos que dificultavam a participação de jovens e famílias.
A decisão de rever o projeto inicial nasceu do contato com a comunidade, não de um modelo previamente fechado.
No Jaguaré, a inclusão digital continuou relevante, mas deixou de ser vista como uma resposta isolada. Sem domínio adequado da leitura e da escrita, o acesso à tecnologia poderia ter alcance limitado. Ao acrescentar apoio escolar, a iniciativa procurou criar condições para que os estudantes aproveitassem melhor as oportunidades oferecidas.
O mesmo raciocínio orientou a incorporação de medidas práticas. A distribuição de refeições e cestas básicas buscou enfrentar necessidades alimentares, enquanto o transporte gratuito procurou reduzir dificuldades de deslocamento.
Coral e teatro foram incluídos entre as atividades, ampliando as possibilidades de convivência, expressão e participação.
Em 2005, o trabalho começou a alcançar outras localidades, entre elas São Luís, João Pessoa e Recife.
Ao longo dos anos, a Fundação Gentil Afonso Durães passou por etapas de organização, profissionalização e modernização de suas atividades. Em projetos dessa natureza, a continuidade depende não apenas da intenção de ajudar, mas ainda de planejamento, definição de prioridades e capacidade de acompanhar a execução das ações.
A experiência empresarial de Eloizo Gomes Afonso Duraes oferece outro elemento para observar esse percurso. O setor alimentício envolve etapas interdependentes, como produção, armazenamento, processamento e distribuição. Sua aproximação com o agronegócio acrescenta a perspectiva das cadeias produtivas e da articulação entre diferentes agentes econômicos.
Ainda assim, a necessidade de coordenar recursos, estabelecer rotinas e rever decisões aparece nos dois contextos, sobretudo quando projetos crescem e passam a atuar em mais de uma cidade.
O empresário desenvolveu obras ligadas a memórias, espiritualidade, poesia e reflexões pessoais. Em determinadas iniciativas, a circulação de livros ainda foi associada ao direcionamento de recursos a instituições beneficentes, aproximando a atividade cultural de propostas de apoio social.
É importante distinguir o histórico relatado dos resultados efetivamente mensurados. As informações disponíveis descrevem a origem, a diversificação e a expansão das iniciativas, mas não apresentam uma série consolidada de indicadores que permita quantificar, com precisão, o impacto acumulado ao longo de mais de duas décadas.
A passagem de um curso de informática para um conjunto mais amplo de ações mostra como o contato com necessidades concretas pode modificar prioridades. Também evidencia que alimentação, mobilidade, educação e cultura não são questões necessariamente separadas na rotina das famílias.
Mais de vinte anos depois das primeiras aulas no Jaguaré, a atuação social permanece como parte da história pública de Eloizo Gomes Afonso Duraes. Ao lado dos negócios, dos livros e de outras atividades profissionais, ela revela um percurso marcado por ajustes sucessivos e pela tentativa de transformar a escuta das comunidades em iniciativas organizadas.





