Professora de Educação Física e fisioterapeuta com 26 anos de experiência, a fundadora da marca de skincare participou do Peptide Summit Orlando em busca das pesquisas que orientam o seu trabalho
A professora de Educação Física e fisioterapeuta Viviane Aragão, fundadora da marca de skincare Eathern Longevité, participou do Peptide Summit Orlando, nos Estados Unidos, encontro dedicado ao estudo dos peptídeos e da sua relação com o envelhecimento humano. Ao final do curso, ministrado por médicos pesquisadores da área, recebeu a The Peptide Master Certification, certificação internacional em peptídeos.
O programa percorreu diferentes frentes de estudo, como metabolismo, sono e longevidade, energia e função mitocondrial, imunomodulação e os processos de regeneração, reparo e inflamação.
Por que os peptídeos
Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos que participam de diversas funções do organismo. Uma das linhas discutidas no congresso é como a presença de alguns deles muda ao longo do envelhecimento e o que isso representa para cada parte do corpo.
A pele ocupa um lugar central nessa conversa. É ali que os sinais do tempo costumam aparecer primeiro, o que faz dela um dos focos das pesquisas com peptídeos voltadas a aspectos como textura, firmeza, hidratação e barreira cutânea. O interesse também aparece no mercado. Segundo a consultoria Mordor Intelligence, o segmento global de síntese de peptídeos cosméticos foi avaliado em US$ 247,53 milhões em 2025 e deve chegar a US$ 337,09 milhões em 2031. As aplicações antienvelhecimento responderam por 48,27% desse total em 2025.
“Entender como o corpo envelhece e como os peptídeos participam desse processo mostra o que cada órgão precisa para envelhecer e viver melhor. E a pele é onde a gente costuma perceber isso primeiro”, afirma Viviane.
O laboratório do próprio corpo
Formada em Licenciatura Plena em Educação Física e Fisioterapia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Viviane soma 26 anos de experiência em saúde, performance humana, estética e longevidade. Entre 1999 e 2012, competiu no triatlo, incluindo provas de Ironman e meio Ironman.
O desgaste das provas de longa duração a levou a estudar, na prática, processos como o estresse oxidativo, a ação dos radicais livres e a glicação, associados ao envelhecimento da pele e do corpo. Uma revisão publicada em 2026 no Journal of Cosmetic Dermatology descreve a glicação como um fator ainda pouco reconhecido do envelhecimento cutâneo. Os chamados produtos finais de glicação avançada (AGEs) se acumulam no colágeno e na elastina da derme, o que deixa o tecido mais rígido e menos elástico.
Ao longo da carreira, também treinou atletas e acompanhou centenas de alunos, principalmente acima dos 40 anos, em trabalhos de força, mobilidade, composição corporal e longevidade funcional. Esse é um público que se destaca no consumo de produtos para cuidados com a pele, segundo pesquisa da Touch Branding para a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) divulgada em 2025. É também um grupo em crescimento: de acordo com o Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tem 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, 15,6% da população, um aumento de 56% em relação a 2010.
Da pesquisa à marca
Essa trajetória deu origem à Eathern Longevité, marca de beleza, autocuidado e longevidade desenvolvida e operada pela Tessora e comercializada pela Casa Três. A proposta da marca tem como eixo temas como glicação, estresse oxidativo e regeneração, e a linha de estreia reúne cremes com peptídeos de cobre e PDRN, além de óleos puros.
A marca chega a um mercado em expansão. O setor brasileiro de beleza e cuidados pessoais faturou R$ 200 bilhões em 2025, alta de 6,8% sobre o ano anterior, segundo a Euromonitor International. A categoria de cuidados com a pele cresceu 9,6% em 2024 no país, de acordo com a mesma consultoria. No mundo, a economia do bem-estar alcançou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve chegar a quase US$ 9,8 trilhões em 2029, segundo o GWI (Global Wellness Institute). Pesquisa da McKinsey indica que mais da metade dos consumidores, de diferentes gerações, considera o envelhecimento saudável muito importante ou prioridade máxima.
Para Viviane, acompanhar eventos científicos internacionais faz parte do desenvolvimento da marca. “O que busco para construir a Eathern é justamente isso: ciência aplicada. Por isso estou sempre nesses congressos, perto dos médicos pesquisadores. Envelhecer bem não é sorte, é ciência aplicada com disciplina ao longo da vida”, resume.





