Psicóloga Elaine Taboada assume cadeira de Virginia Satir na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Após 23 anos em empresas, a psicóloga radicada no Rio ocupa a cadeira 29 da academia, na categoria Ciências da Saúde

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Posse da psicóloga Elaine Taboada como acadêmica da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura.

Após 23 anos em empresas, a psicóloga radicada no Rio ocupa a cadeira 29 da academia, na categoria Ciências da Saúde

A psicóloga e empresária Elaine Taboada, radicada no Rio de Janeiro, tomou posse em agosto como acadêmica imortal da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura. Ela ocupa a cadeira 29, no colegiado de Ciências da Saúde. A patronesse da cadeira é a terapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988), uma das principais referências da terapia familiar sistêmica do século 20. A posse consta na página de acadêmicos da instituição.

O reconhecimento chega depois de uma mudança de rota. Elaine passou 23 anos no ambiente corporativo antes de se dedicar à psicologia. Nos últimos anos, estruturou uma clínica de saúde emocional e treinamento, uma comunidade de mulheres online e presencial, e uma comunidade online de aliados divergentes. Somadas, segundo ela, essas comunidades já reúnem 3 mil pessoas.

Quem foi Virginia Satir

Virginia Satir foi reconhecida internacionalmente como terapeuta, palestrante, trainer e escritora. Ela mudou a forma de olhar os conflitos: em vez de focar no problema de uma pessoa, passou a entender cada indivíduo como parte de um sistema de relações, especialmente a família. Para Satir, a cura passa por restaurar a comunicação, fortalecer a autoestima e criar relações mais autênticas. Seu trabalho foi um dos modelados por Richard Bandler e John Grinder na criação do Meta Modelo e de técnicas básicas da PNL (Programação Neurolinguística).

Satir foi pioneira no olhar sistêmico da terapia familiar e no cuidado com o feminino, e esse cuidado é a base do trabalho de Elaine. Uma das contribuições mais conhecidas de Satir é a reconstrução familiar, método que revisita a história de gerações anteriores para compreender padrões que se repetem. Esse é exatamente o mesmo trabalho que Elaine vem desenvolvendo desde 2019 e que continuará o legado de Virginia.

“Receber a cadeira de alguém tão marcante para a história da terapia familiar me preenche de um profundo senso de responsabilidade. Firmo o compromisso de honrar e dar continuidade a quem veio antes de mim e de contribuir para a construção de famílias, relações e uma sociedade mais saudável: um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Sigo comprometida com a evolução da ciência, da saúde, da humanidade, do empoderamento feminino e de um novo mundo”, afirma.

A missão que ela define para o próprio trabalho é apoiar mulheres e famílias na construção de lares e negócios saudáveis, “em um mundo onde homens são desafiados, mulheres são valorizadas e crianças são protegidas. Onde as relações são saudáveis, os vínculos são fortes e os limites são claros”, diz.

Da gestão de empresas ao consultório

Elaine é formada em Administração e construiu a primeira carreira em recursos humanos, finanças e marketing, com foco em performance, carreira e negócio. Como gerente de RH, fez do autoconhecimento o centro da própria trajetória: desde 2010, realizou centenas de cursos de desenvolvimento humano.

Saiu do mundo corporativo em 2018. No ano seguinte, aos 42 anos, começou a atuar como terapeuta. No início dessa nova carreira, depois de diversas formações terapêuticas, a experiência veio da pesquisa ligada ao câncer e do método da troca justa.

A graduação em Psicologia chegou depois, como a realização de um sonho que tinha ficado de lado. Elaine começou o curso durante a pandemia e se formou em 2024. São duas formações distintas, a terapêutica e a acadêmica, ambas de base sistêmica. Ela mesma compara essa virada à jornada do herói.

“Construí cada projeto à medida que fui reconstruindo a minha própria vida”, conta.

Clínica, academia online e comunidades

Em 2023, Elaine fundou o Instituto Integrativo AlmaÚnica, clínica focada em saúde mental, emocional e treinamento com conceito boutique de bem-estar na Barra da Tijuca, e uma comunidade de mulheres que funciona como um ecossistema completo de acompanhamento sistêmico. Dele fazem parte a Confraria, grupo de negócios que se reúne em um restaurante no Rio de Janeiro, e o Clube Terapêutico, voltado à conexão e à expansão da consciência, também na cidade. A comunidade ganhou ainda uma versão online, que reúne alunas no Brasil e no exterior em um encontro coletivo mensal.

No Rio, os encontros presenciais incluem rodas de conversa e uma mesa de negócios entre mulheres. Desde 2024, ela também é anfitriã da Aliança Divergente e lidera o movimento dos Cariocas Divergentes de forma voluntária. A comunidade, o Clube Terapêutico, a Academia e a Confraria são voltados a mulheres; o Instituto AlmaÚnica e a Cariocas Divergentes recebem todos os públicos.

Esse conjunto de iniciativas ajuda a explicar o reconhecimento.

O olhar sistêmico sobre as famílias

A abordagem de Elaine parte da ideia de que muitos conflitos se formam ao longo de gerações, e não só na pessoa que chega ao consultório. O trabalho busca identificar esses ciclos geracionais e interromper sua repetição. As mulheres estão no centro dos projetos, mas o atendimento se estende à família, com casais e homens entre os pacientes.

“Ter uma vida saudável e feliz é entregar ao mundo uma vida melhor do que a que recebemos”, diz.

O foco nas mulheres encontra respaldo nos números. A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou em setembro de 2025 o relatório World Mental Health Today. Segundo o documento, mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, e as mulheres são desproporcionalmente afetadas. No Brasil, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025. É uma alta de 15,66% sobre 2024, e 63,46% desses afastamentos foram de mulheres.

Outro indicador mostra o peso que recai sobre elas dentro de casa. Pelos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022 as mulheres dedicaram em média 21,3 horas por semana a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Entre os homens, foram 11,7 horas, quase a metade.

O significado da posse

Para Elaine, ocupar a cadeira de Satir amplia a responsabilidade de levar esse conhecimento a mais pessoas, dentro e fora do consultório. Parte desse trabalho já circula em formato aberto, no canal do Instituto AlmaÚnica no YouTube e em participações, como a recente no podcast Papo Milgrau.

“Conhecimento só ganha sentido quando transforma vidas. Conhecimento sem decisão de mudança e ação nesta direção não gera novos resultados”, resume.

Elaine Taboada é psicóloga (CRP 81973), mentora e empresária, fundadora do Instituto Integrativo AlmaÚnica e de uma comunidade de mulheres.

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