A SnapUp, agência de publicidade fundada em 2022, começou a ganhar espaço em um setor cada vez mais pressionado por eficiência, dados e resultados. Criada por profissionais com passagem por multinacionais, a empresa estruturou um modelo de operação voltado à gestão estratégica de investimentos em marketing, unindo planejamento, execução e alocação de recursos em uma mesma estrutura. Em um mercado que segue aquecido, o investimento publicitário via agências no Brasil chegou a R$28,9 bilhões em 2025, alta de 10% sobre o ano anterior, segundo o Cenp.
Foi nesse contexto que a SnapUp passou a atrair interesse internacional. Segundo fontes do setor, a empresa recebeu uma proposta de investimento de um grupo publicitário sediado na Inglaterra. A oferta envolveria cerca de R$12 milhões por 30% de participação, o que colocaria a avaliação da companhia na faixa de R$40 milhões. A negociação não foi oficialmente confirmada, mas o movimento é visto no mercado como um sinal de que agências brasileiras com operação mais estruturada começam a entrar no radar de investidores estrangeiros.
A origem da empresa ajuda a explicar esse interesse. Os fundadores partiram da experiência acumulada em grandes companhias para construir uma agência menos centrada apenas em entregas pontuais e mais conectada às decisões de negócio dos clientes. Na prática, a SnapUp passou a atuar não só na comunicação, mas também na forma como as marcas organizam verba, fornecedores, mídia, produção e performance.
Esse posicionamento deu à empresa um perfil diferente do modelo tradicional de agência. Em vez de funcionar apenas como executora de campanhas, a operação foi desenhada para participar da tomada de decisão, buscando mais eficiência no uso dos recursos e maior integração entre branding, criatividade e resultado. Para empresas em fase de crescimento, esse tipo de proposta costuma ser valorizado porque responde a uma dor recorrente: investir em marketing sem perder controle sobre retorno e execução.
Outro fator que ampliou a visibilidade da SnapUp foi a expansão internacional. Nos últimos anos, a empresa passou a atuar em projetos fora do Brasil, incluindo mercados como Espanha, Estados Unidos e Portugal. Nos bastidores, essa movimentação é interpretada como um passo importante para consolidar a companhia como uma operação com ambição global, em vez de uma agência restrita ao mercado doméstico.
A atenção de investidores também aparece em um momento em que o ambiente de negócios brasileiro segue ativo para operações estratégicas. A KPMG aponta que o país encerrou 2025 com 1.581 transações de fusões e aquisições, praticamente no mesmo patamar do ano anterior, em um cenário de estabilidade que mantém o interesse por empresas com potencial de escala, diferenciação e expansão.
Embora a empresa mantenha discrição sobre os detalhes da possível operação, a leitura no setor é que o interesse externo está ligado ao modelo construído pela SnapUp e à sua capacidade de combinar estratégia, operação e crescimento. Caso o investimento avance, a tendência é que a empresa acelere sua presença internacional e fortaleça ainda mais sua atuação no mercado publicitário.
Mais do que um episódio isolado, o caso reflete uma mudança no perfil das agências que vêm ganhando relevância no país. Em um mercado maior e mais competitivo, passam a chamar mais atenção às estruturas que conseguem unir criatividade com gestão, inteligência de negócio e capacidade de escala.












